sábado, 27 de junho de 2009

C'est moi



A inveja me tragou.
Comeu minha fé
meu falo, minha carniça...
Restaram apenas dois olhos
que nunca cessam
de tanta cobiça.
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E essa paixão que você moldou
assim: tão bruta
Me fez tua fera
teu filho
tua puta.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Por Mil Heras

Bela senhora das Heras
Adornada com flores do mal
Teu canto faz vibrar as cordas do meu íntimo
Teus ares enlouquecem e cegam minha voz, que sempre cala

Sim, senhora, falas por mim
És o meu reflexo aperfeiçoado num espelho de ilusões
És, senhora, o inalcançável à distância de dois passos
E um dia, talvez, quando a minha indesejada me sorrir seus dentes de chumbo,
te levarei comigo
e te afogarei, senhora
Para tragar, sozinho, o teu último canto-suspiro.




*

Não tenho vergonha de me confessar
Não sou como me pinto
Não, não sou auto.suficiente
Não consigo me satisfazer no meu arrogante bem-estar solitário
Preciso de Cheiros diversos para me situar no espaço
Preciso de corpos, muitos corpos
Corpos e cores e nomes
Preciso que todos apertem meu ventre, soprem minha nuca e lambam meus olhos
Não caibo em mim, tamanha minha pequenez
Sou apenas um terço de ser
muito mais que vos ter
preciso, visceralmente, vos beber

domingo, 29 de março de 2009


João do Rio.


Maravilhisador de uma cidade desconhecida
de olhos atentos e comentários impiedosos
aprendi a caminhar pelas esquinas de tuas linhas
e em cada ponto suspirei-te: Ostracismo.
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Arquiteto de cabeças desarranjadas
Filho pródigo de uma mãe perdoável
Cicerone de praças e avenidas
Entre o cético e o mítico
És um Dândi em minha vida.

domingo, 6 de julho de 2008

Sonhar é acordar-se para dentro.

Uma pequena homenagem a Mário Quintana, na voz de Marco Nanini.
Velha História


quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Quadrilhas !

"Camélia ficou viúva,
Joana se apaixonou,
Maria tentou a morte,
Por causa do seu amor..."


Vendo esses versos do Paulinho da viola é quase que espontânea a comparação com um poema muito conhecido do Grande poeta gauche: Quadrilha, a descrição de várias soluções para um único problema: Os amores frustrados...



Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
(Carlos Drummond de Andrade)




Pensando nisso aí vai um poeminha:

Amor frustrado

Amor frustrado é sentimento que sai de um casulo torto
É borboleta preta com a asa esquerda rasgada
E por assim ser, vai espalhando um mal agouro
A todos que cultivam esperanças no jardim das ilusões

Amor frustrado é flor murcha que ainda espeta
É dor insistente num membro amputado
É não ver no futuro
O que se sonhou no passado.