Enquanto minha mãe pintava os lábios
enrugados pelo desquite prematuro,
Minha irmã cerrava os dentes
mastigando o seu futuro.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Pós-tumo(lo)
...À francesa:
(To miss J.)
E depois que, de todos os poemas, apaguei teu nome.
Tu queres mitificar a brancura da luz da pérola?
(To miss J.)
E depois que, de todos os poemas, apaguei teu nome.
Tu queres mitificar a brancura da luz da pérola?
domingo, 9 de janeiro de 2011
Carnavalização.
Então faz assim: eu me conservo mudo enquanto tateias a solidez das minhas carnes flácidas. Minha língua articulará somente beijos vazios e a minha voz se prestará a emitir sussurros tão falsos quanto esse "amor a primeira vista".
A tua incapacidade de absorver as pérolas que eu não te lançarei te fará ater-se somente ao meu corpo, tornando-o tão vil, e tão obsceno e tão gual aos outros milhares que em ti se esfregaram, que, dentro em pouco, não te servirei para mais nada. A volúpia ardente dos versos que certamente não compreenderias, se converterão no amargo bilis que sorves de minha boca. Teu fétido hálito de superficialidade fará escorrer gotas de vômito por entre as frestas abertas nos nossos lábios colados. Depois gargalharei com o despudor daqueles que nunca se importam com os sentimentos alheios (sentimento é uma palavra bela demais para figurar na trivialidade do seu parco vocabulário).
Contudo - olhando-te mais de perto - concluo que a beleza é realmente uma deusa arrebatadora, mas não passível de abstração.
PRONTO! está pago: a tua beleza em troca do meu tempo. E não se fala mais nisso, e não se fala mais, e não nos falaremos mais. Não te quero mais. Estamos saciados, e agora desejo, visceralmente, que partas para sempre. MAS antes, para que te lembres de mim, de recordação, te cuspirei na cara, para emporcalhar esse espaço asséptico e carente de verdade.
Agora podes ir, e eu te odiarei, eternamente, por nem se quer existires em ti. E te odiarei, sobretudo, por mostrar-me em tuas opacas retinas que pedras e plumas são apenas dois corpos sujos que, apesar de se enlaçarem numa rua escura, jamais se encontrarão.
A tua incapacidade de absorver as pérolas que eu não te lançarei te fará ater-se somente ao meu corpo, tornando-o tão vil, e tão obsceno e tão gual aos outros milhares que em ti se esfregaram, que, dentro em pouco, não te servirei para mais nada. A volúpia ardente dos versos que certamente não compreenderias, se converterão no amargo bilis que sorves de minha boca. Teu fétido hálito de superficialidade fará escorrer gotas de vômito por entre as frestas abertas nos nossos lábios colados. Depois gargalharei com o despudor daqueles que nunca se importam com os sentimentos alheios (sentimento é uma palavra bela demais para figurar na trivialidade do seu parco vocabulário).
Contudo - olhando-te mais de perto - concluo que a beleza é realmente uma deusa arrebatadora, mas não passível de abstração.
PRONTO! está pago: a tua beleza em troca do meu tempo. E não se fala mais nisso, e não se fala mais, e não nos falaremos mais. Não te quero mais. Estamos saciados, e agora desejo, visceralmente, que partas para sempre. MAS antes, para que te lembres de mim, de recordação, te cuspirei na cara, para emporcalhar esse espaço asséptico e carente de verdade.
Agora podes ir, e eu te odiarei, eternamente, por nem se quer existires em ti. E te odiarei, sobretudo, por mostrar-me em tuas opacas retinas que pedras e plumas são apenas dois corpos sujos que, apesar de se enlaçarem numa rua escura, jamais se encontrarão.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Amores platônicos:
I
Na passagem do teu corpo
meu nariz furta-cheiro.
II
Quando eu te encarei frente a frente
só vi a tua nuca.
Na passagem do teu corpo
meu nariz furta-cheiro.
II
Quando eu te encarei frente a frente
só vi a tua nuca.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
"Disticarações"
I
No ouvido: Sussurro
Na boca: Falo.
II
Diante da bifurcação das virilhas
a língua seguiu o caminho do meio.
III
Eu suo
Tu suas
IV
Amor que fica
é o que se vai
V
Capitu
ganhou Bentinho pelo olho?
VI
Entre o sexo e o ofício
existe um orifício
VII
Do french kiss ao beijo grego
existem alguns kilômetros de pele.
VIII
A língua na boca alheia
canta uma música surda.
IX
Dormir de conchinha
é coisa para casais com três braços.
X
Depois de comer todos os incautos
Mário saiu do armário.
XI
- Você me ama?
Da Série: Amor Verdadeiro
I
Amor verdadeiro
É lamber a axila do parceiro.
II
Amor verdadeiro
É nadar no Mar Vermelho.
No ouvido: Sussurro
Na boca: Falo.
II
Diante da bifurcação das virilhas
a língua seguiu o caminho do meio.
III
Eu suo
Tu suas
IV
Amor que fica
é o que se vai
V
Capitu
ganhou Bentinho pelo olho?
VI
Entre o sexo e o ofício
existe um orifício
VII
Do french kiss ao beijo grego
existem alguns kilômetros de pele.
VIII
A língua na boca alheia
canta uma música surda.
IX
Dormir de conchinha
é coisa para casais com três braços.
X
Depois de comer todos os incautos
Mário saiu do armário.
XI
- Você me ama?
- E como.
Da Série: Amor Verdadeiro
I
Amor verdadeiro
É lamber a axila do parceiro.
II
Amor verdadeiro
É nadar no Mar Vermelho.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
-------------------------------------------------------------------------------------
"E onde gritavas impropérios,
eu fazia-te esplendor."
És apenas um nome
Nome sujo, sem rosa
e sem plumas.
Nome profano
Cantiga de agouro que ofende minha reza
e contamina meu ser.
Nome impróprio
Palavra pendurada entre tua boca
e meu ouvido.
Nome abstrato
Vocábulo com braços, pernas
e olhos que nunca me vêem.
Nome perdido
Som apartado da minha voz
por infindáveis ventanias.
Segredo inominável
Canto de um coro surdo
que narra a minha desgraça.
Assinar:
Postagens (Atom)
